
O instante fulminante parecia durar horas e horas no gabinete do executivo, segurando o saco de gelo na minha face golpeada onde transparecia uma coloração púrpura e pude sentir periodicamente pontadas de dor.
Tal era a perseverança de não perder as minhas estribeiras perante a sua presença que me incomodava, só desejava dar-lhe a maior sova da sua vida!
Como isso não aconteceu, decidi manter-me calma e contar toda a veracidade do sucedido e a única resposta que obtivemos da responsável:
- Bom, isso compete a vocês os dois pedirem as desculpas uns ao outro pelos actos referidos e espero que resolvem a vossa incompatibilidade antes que vos aconteça algo. Ainda mais, quero-vos ver sair daqui de mãos dadas.
Incrédula perante o comentário, que queria ela dizer? Incompatibilidade, mas que palavra tão forasteira! Nesse dia criei uma gazeta de vocabulários desconhecidos, a sonoridade labial na locução insondada era deveras mirabolante que me seduzia uma musicalidade singular.
Entretanto, estivemos ambos na defensiva de dar o primeiro passo. Só via o braço dele a erguer-se e o seu olhar mostrava um arrependimento patente, fiquei receosa com a súbita mudança de comportamento onde manifestei a total desconfiança.
Será que estava a ser sincero? Ou queria sair de lá o mais rapidamente possível para ter com os colegas? Resolvi arriscar, aceitei as desculpas tanto como ele a mim e saímos pela porta fora de mãos dadas, contrariados.
Desde então não houve mais problemas e chatices, passando um tempo a campainha tinha tocado, só que não ouvia e fui logo abordada por uma amiga. Entramos ambas para a sala, onde alguém queria falar connosco e apareceu a educadora I. vestida de fato de banho com calções amarelados.
Murmúrios exaltados e ruidosos, cadeiras arrastadas perante o espanto imprevisto que acabaram por soltar gritos eufóricos, claro eu feita de parva! Dialoguei silenciosamente:
- O quê? Vamos para a praia? Mas então não trouxe o meu fato de banho!
- Nua, é que não vou!
A educadora I dirigiu em minha direcção e bastou-lhe dizer uma simples frase como se tivesse lido os meus pensamentos irrequietos:
- Memorex vai buscar a tua mala que está lá o teu fato de banho, mas não demores para depois pores no teu pescoço, a etiqueta do colégio.
Todos os colegas finalistas do quarto ano, inclusive eu começamos a cantarolar bem alto dentro da camioneta desocupada a caminho para a praia de Fonte da Telha:
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, VIVA A NOSSA CAMIONETA! LÀ, LÀ, LÀ! VIVA A NOSSA CAMIONETA!
(… tem continuidade …)
Tal era a perseverança de não perder as minhas estribeiras perante a sua presença que me incomodava, só desejava dar-lhe a maior sova da sua vida!
Como isso não aconteceu, decidi manter-me calma e contar toda a veracidade do sucedido e a única resposta que obtivemos da responsável:
- Bom, isso compete a vocês os dois pedirem as desculpas uns ao outro pelos actos referidos e espero que resolvem a vossa incompatibilidade antes que vos aconteça algo. Ainda mais, quero-vos ver sair daqui de mãos dadas.
Incrédula perante o comentário, que queria ela dizer? Incompatibilidade, mas que palavra tão forasteira! Nesse dia criei uma gazeta de vocabulários desconhecidos, a sonoridade labial na locução insondada era deveras mirabolante que me seduzia uma musicalidade singular.
Entretanto, estivemos ambos na defensiva de dar o primeiro passo. Só via o braço dele a erguer-se e o seu olhar mostrava um arrependimento patente, fiquei receosa com a súbita mudança de comportamento onde manifestei a total desconfiança.
Será que estava a ser sincero? Ou queria sair de lá o mais rapidamente possível para ter com os colegas? Resolvi arriscar, aceitei as desculpas tanto como ele a mim e saímos pela porta fora de mãos dadas, contrariados.
Desde então não houve mais problemas e chatices, passando um tempo a campainha tinha tocado, só que não ouvia e fui logo abordada por uma amiga. Entramos ambas para a sala, onde alguém queria falar connosco e apareceu a educadora I. vestida de fato de banho com calções amarelados.
Murmúrios exaltados e ruidosos, cadeiras arrastadas perante o espanto imprevisto que acabaram por soltar gritos eufóricos, claro eu feita de parva! Dialoguei silenciosamente:
- O quê? Vamos para a praia? Mas então não trouxe o meu fato de banho!
- Nua, é que não vou!
A educadora I dirigiu em minha direcção e bastou-lhe dizer uma simples frase como se tivesse lido os meus pensamentos irrequietos:
- Memorex vai buscar a tua mala que está lá o teu fato de banho, mas não demores para depois pores no teu pescoço, a etiqueta do colégio.
Todos os colegas finalistas do quarto ano, inclusive eu começamos a cantarolar bem alto dentro da camioneta desocupada a caminho para a praia de Fonte da Telha:
1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, VIVA A NOSSA CAMIONETA! LÀ, LÀ, LÀ! VIVA A NOSSA CAMIONETA!
(… tem continuidade …)